Durante muito tempo eu pensei que a felicidade estava na
quantidade. Quantidade de festas, quantidade de amigos, quantidade de lugares,
quantidade de tudo...
Porém não demorou e isso já não me satisfazia. A quantidade
não era tão importante já que os amigos não eram tão amigos, as festas não
valiam o preço e o esforço que custavam. E a quantidade começou a demonstrar a minha
futilidade e a minha falha moral.
Assim, se a quantidade de festas e pessoas não me trazia
felicidade, e se o meu caráter já estava à prova, era necessário mudar
urgentemente. Eu não queria mais carregar aquele sorriso falso nem aquele
olhar triste por detrás do excesso de maquiagem.
Por imposição da insatisfação pessoal, tive que me recolher.
Olhar para dentro de mim e tentar enxergar o que me fazia infeliz.
Constatei que eu não transmitia nada daquilo que eu queria,
que eu forjava ser outra pessoa. Eu era uma perfeita atriz: mentia para mim
mesma e me convencia.
Mudar exigiu tempo, lágrimas e solidão.
Reconheci que não tenho disposição para festas
todos os dias, nem dinheiro para todas as roupas, sapatos e passeios. Não tenho
mais todas as horas do dia para os compromissos despretensiosos. Não posso mais
dispor de toda a minha energia para qualquer coisa, nem mesmo para uma só
coisa...
Aprendi que falar é tão importante quanto calar. Saber se
portar nos diferentes lugares é característica de poucos. Aprendi que
faço melhor por mim quando incluo outras pessoas, que devo estudar sempre e que
um sorriso é a maquiagem mais perfeita. Que palavras doces
perfumam o ambiente e nada substitui um abraço carinhoso.
Agora compreendo porque somente quando eu dou
respeito, posso exigi-lo.
E, avaliando ainda mais, descobri que não sei quase nada,
mas, sendo verdadeira, estou muito mais feliz!!!

Belíssimo aprendizado...
ResponderExcluir"Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
ResponderExcluirProcede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"
(Quintana)
;)